Representante japonesa refuta sugest√£o da ONU de proibir a m√≠dia retratando rela√ß√Ķes sexuais …

Representante japonesa refuta sugest√£o da ONU de proibir a m√≠dia retratando rela√ß√Ķes sexuais ...

Se voc√™ se lembra, relatamos sobre as Na√ß√Ķes Unidas discutindo a poss√≠vel proibi√ß√£o de jogos e mang√°s que retratam a viol√™ncia sexual contra mulheres, no Jap√£o.

Agora, Kumiko Yamada, representante da ala japonesa do Instituto Feminino de Cultura Contempor√Ęnea da M√≠dia, respondeu a isso, e ela tinha muito a dizer sobre o assunto.

Sua resposta (Nota do editor: traduzida pela primeira vez pelo usuário do reddit RyanoftheStars; verificamos a precisão da tradução) pode ser encontrada abaixo:

Estamos absolutamente de acordo em que a prote√ß√£o dos direitos das mulheres no Jap√£o √© importante. Por outro lado, achamos que deve ser cuidadosamente e seriamente avaliado se as medidas tomadas para garantir essas prote√ß√Ķes s√£o v√°lidas ou n√£o. Se formos solicitados a considerar se “Proteger os direitos das mulheres no Jap√£o” exige que “banamos a venda de mang√°s e videogames que descrevem viol√™ncia sexual”, devemos responder que esse √© um “n√£o” absoluto.

Raz√Ķes para nossa opini√£o:

Razão # 1 РA chamada violência sexual em mangás e videogames é uma coisa inventada e, como tal, não ameaça os direitos das pessoas reais; portanto, não faz sentido proteger os direitos das mulheres.

Raz√£o # 2 – No Jap√£o, e especialmente quando se trata de mang√°, esses s√£o campos criativos que as pr√≥prias mulheres cultivaram e trabalharam duro por suas pr√≥prias m√£os para criar carreiras para si mesmas. Se “proib√≠ssemos a venda de mang√°s que incluem viol√™ncia sexual”, faria o contr√°rio e, em vez disso, criaria uma nova avenida de sexismo em rela√ß√£o √†s mulheres.

Explicação detalhada dos motivos:

Sobre a Raz√£o # 1 – √Č desnecess√°rio dizer que o estupro e outros crimes de pessoas reais que praticam atos sexuais de parceiros sem consentimento s√£o uma viola√ß√£o real de seus direitos com rela√ß√£o √† viol√™ncia sexual e devem obviamente ser proibidos por lei, e que √© necess√°rio proteger e apoiar as v√≠timas. No entanto, as figuras em mang√° e videogame s√£o fic√ß√Ķes criativas que realmente n√£o existem e, portanto, isso n√£o constitui uma viola√ß√£o dos direitos humanos de qualquer pessoa real. Dever√≠amos nos concentrar em atacar os problemas que afetam os direitos humanos das mulheres reais o mais r√°pido poss√≠vel.

Sobre a Raz√£o # 2 – No Jap√£o, e especialmente no que diz respeito ao mang√°, esses s√£o campos criativos que as pr√≥prias mulheres cultivaram e trabalharam duro com suas pr√≥prias m√£os para criar carreiras para si mesmas. J√° nos anos 70, havia revistas de mang√° voltadas para mulheres e muitas vieram deles escritores de mang√°s de mulheres talentosas. Dessa forma, antes da Lei de Igualdade de Oportunidades de Emprego para Homens e Mulheres, aprovada em 1986, j√° havia um espa√ßo em que as mulheres floresciam e haviam estabelecido o g√™nero ‚Äúshoujo mang√°‚ÄĚ. E, √© claro, nos mang√°s femininos, √†s vezes o assunto era romance e sexo [‚Ķ] Dessa maneira, pode-se prever que, se proibirmos a venda de ‚Äúmang√°s que retratam viol√™ncia sexual‚ÄĚ, muitos editores deixar√£o de publicar uma enorme quantidade de obras. No campo criativo do mang√°, o efeito seria que as mulheres que trabalharam t√£o duro para criar um lugar para carreiras vibrantes teriam esse lugar encolhido bem na frente delas, bem como teriam seus esfor√ßos negados. Al√©m disso, se nos coloc√°ssemos nos lugares dos leitores de mang√°, a chance de saber sobre a hist√≥ria da explora√ß√£o sexual de mulheres seria perdida e o m√©todo para que elas soubessem disso. Se os campos criativos do mang√° fossem atacados, pisoteados e destru√≠dos com esse preconceito, isso danificaria n√£o apenas as escritoras de mang√°, mas tamb√©m se espalharia para outras criadoras de campo, assim como para as leitoras. Isso seria uma puni√ß√£o sexista que apenas restringe as possibilidades de carreira das mulheres japonesas

[…]

Conclus√£o:

Como afirmado acima, n√£o podemos dizer que a proibi√ß√£o da venda de mang√°s e videogames que ‚Äúretratam viol√™ncia sexual‚ÄĚ √© v√°lida, mesmo se concord√°ssemos que o objetivo de proteger os direitos das mulheres √© correto.

N√£o h√° nada a ganhar com a regula√ß√£o da viol√™ncia sexual ficcional. No entanto, enquanto voc√™ tenta consertar os direitos dos personagens fict√≠cios, deixa para tr√°s os direitos humanos de mulheres reais no mundo real. Al√©m disso, no Jap√£o, toda a raz√£o pela qual temos um g√™nero de m√≠dia, como o mang√°, desenvolvido para abordar temas como a explora√ß√£o sexual de mulheres, veio de uma atitude de tolerar “beber o puro e o sujo sem preconceitos”. √Č porque tivemos a liberdade de expressar nossos pontos de vista e, com isso, expressar o ponto de vista de um mundo de seres humanos que vive e morre, que h√° coisas puras e maravilhosas e coisas sujas e desagrad√°veis ‚Äč‚Äčmisturadas entre si.

O mangá é um campo em que as mulheres dedicam seu trabalho e esforço para abrir caminhos e cultivar um lugar próprio. Acreditamos que, para proteger este lugar de ser pisoteado, será necessário nosso trabalho duro e contínuo para repassá-lo para a próxima geração, e é esse esforço que vinculará à maior liberdade e direitos das mulheres.

Para obter a resposta completa, você pode ler o blog original em japonês aqui e a resposta traduzida aqui.

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