Quando um superorganismo da floresta mantém vivo um toco que deveria estar morto

Em uma floresta de Nova Zelândia há uma estranha árvore vampira agarrada à vida. O pedaço de tronco sem folhas já foi uma poderosa Agathis australis ou kauri, uma espécie de conífera que pode atingir 50 metros de altura.

Mas hoje, parece que está morto há muito tempo, mas, como mostra um novo estudo publicado em 25 de julho na revista iScience, essa estranha cepa sem folhas ainda se mantém viva graças aos recursos de seus vizinhos.

Floresta

Uma árvore “morta” mantida viva graças a um superorganismo da floresta

Segundo os pesquisadores que descobriram o toco, abaixo da superfície ele faz parte de um floresta “superorganismo”, ou seja, uma rede de raízes entrelaçadas, pertencentes a dezenas ou mesmo centenas de árvores, que compartilham recursos em uma comunidade unida. Ao enxertar suas raízes nas de seus vizinhos, o toco kauri se alimenta à noite de água e nutrientes que outras árvores coletaram durante o dia. Ela consegue se manter viva graças ao trabalho duro de seus vizinhos.

“Para a cepa, os benefícios são óbvios – ela teria morrido sem os enxertos, pois não possui tecido verde próprio”disse em um comunicado à imprensa o coautor do estudo, Sebastian LeuzingerProfessor Associado da Universidade de Tecnologia de Auckland, na Nova Zelândia.

“Mas por que as árvores verdes manteriam sua árvore avó viva no chão da floresta quando ela não parece estar fornecendo nada em troca de suas árvores hospedeiras?”pergunta Leuzinger.

Um toco de vampiro que outras árvores não podem se livrar

De acordo com a explicação dos pesquisadores, durante o dia, enquanto as árvores frondosas vizinhas estão ocupadas transportando água pelas raízes até as folhas, o toco de alguma forma permanece adormecido. À noite, quando as árvores vizinhas descansam, o toco aproveita para fazer circular a água armazenada pelo que resta de seu corpo. Mas por que essas árvores aceitam uma árvore quase morta em sua rede subterrânea de nutrientes?

Os pesquisadores acreditam que isso pode ser porque a cepa se juntou a seus vizinhos há muito tempo, mesmo antes de se tornar uma cepa. Também pode ser que, embora não tenha mais folhas, suas raízes ainda tenham valor como porta de entrada para outras árvores vivas em outros lugares da floresta.

Então, como os nutrientes ainda estão fluindo pelas raízes do toco neste superorganismo da floresta, é possível que as árvores vizinhas nunca tenham percebido que era apenas um toco de tronco sem folhas.

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