Mudança climática ameaça ácidos graxos essenciais para a saúde do cérebro

Mudança climática ameaça ácidos graxos essenciais para a saúde do cérebro

O aquecimento global pode levar a uma redução drástica na disponibilidade de um ácido graxo ômega-3 essencial, necessário para o desenvolvimento do cérebro em mamíferos, entre outras coisas. O ácido docosahexaenóico, mais comumente chamado DHA, é adquirido principalmente pela ingestão de frutos do mar e peixes, embora também possa ser adquirido a partir de suplementos de ácidos graxos. A produção de DHA depende principalmente de reações bioquímicas muito sensíveis às mudanças de temperatura.

As descobertas vĂŞm de pesquisadores de várias universidades canadenses, onde um modelo matemático foi usado para explorar os efeitos potenciais que o aquecimento global pode ter na produção e disponibilidade de DHA no futuro. A equipe usou diferentes cenários possĂ­veis de aquecimento global, descobrindo que, no pior dos casos – onde a mudança climática Ă© deixada sem controle – a maioria da população humana pode ter acesso inadequado ao DHA dentro de um Ăşnico sĂ©culo.

Até o ano 2100, a produção doméstica de peixes sob esse modelo de mudança climática não seria adequada para atender às necessidades de 96% da população mundial, segundo o estudo. Somente pequenos países com populações baixas e altos níveis de produção de peixes podem atender a seus próprios requisitos de DHA.

A falta de acesso a níveis adequados de DHA colocaria em risco populações de pessoas, afetando particularmente o desenvolvimento de fetos e bebês. Esse ácido graxo ômega-3 é o principal composto no córtex e na estrutura cerebral do cérebro, além de desempenhar um papel vital na retina e na pele. O ácido também é importante para a saúde do coração, entre outras coisas.

Os pesquisadores explicaram em uma declaração:

De acordo com nosso modelo, o aquecimento global pode resultar em uma perda de 10 a 58% do DHA disponível globalmente nos próximos 80 anos. Uma diminuição nos níveis terá o maior efeito sobre populações vulneráveis ​​e períodos de desenvolvimento humano, como fetos e bebês, e também pode afetar mamíferos predadores, especialmente os das regiões polares.

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