Marte não é um planeta tão morto

Quando as primeiras imagens de Marte chegaram à Terra nos anos 60 e 70, só se via que o planeta estava deserto. Este foi o fim das teorias sobre possíveis rios ou sobre a presença de uma civilização marciana na superfície. Além disso, estudos posteriores puderam mostrar que as atividades geológicas na origem de vários elementos do relevo já haviam cessado há muito tempo.

Nas últimas décadas, no entanto, foi possível deduzir dos resultados obtidos com instrumentos mais sofisticados, como os rovers, que ainda havia alguma atividade no planeta Marte, e que, portanto, estava longe de ser um planeta morto. Recentemente, outra prova da presença de atividade geológica no planeta pôde ser identificada em uma imagem obtida pelo orbitador MRO ou Mars Reconnaissance Orbiter. O fenômeno em questão é um deslizamento de terra relativamente recente que ocorreu em uma cratera perto de Nili Fossae.

Créditos Pixabay

Alegadamente, o deslizamento de terra foi visto em uma imagem maior que foi tirada pela câmera de contexto do MRO ou CTX. A imagem foi registrada em 21 de setembro de 2018 e mostra uma área de 5 km de largura capturada enquanto o orbitador estava a uma altitude de 284 km.

A câmera de contexto ou dispositivo de visão ampla

A particularidade do CTX é que ele foi desenvolvido para poder obter uma visão ampliada do terreno onde existem rochas e minerais menores estudados pelos demais instrumentos do MRO. Esses instrumentos incluem, por exemplo, o HiRISE ou High-Resolution Imaging Science Experiment ou o CRISM ou Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars. O CTX também forma mosaicos de área maiores que são usados ​​na escolha de locais de pouso para futuras missões.

Uma das missões do CTX é também o monitoramento de determinados locais na superfície marciana que podem sofrer alterações ao longo do tempo. Foi também assim que a câmera conseguiu detectar o que aconteceu na cratera perto de Nili Fossae. Esta é uma das paredes internas da cratera que sofreu um deslizamento de terra desde que a área foi fotografada pela última vez.

Geologia em ação

Segundo os cientistas, o que a imagem mostra é resultado de “processos de movimento de massa”. Este é o nome dado aos vários movimentos de rochas e detritos que descem uma encosta, incluindo avalanches, deslizamentos ou quedas de rochas. Outras imagens feitas antes já mostravam exemplos dessas atividades na superfície do planeta Marte.

A cratera na imagem CTX é conhecida por estar a noroeste da Cratera Jezero, que será o local de pouso do rover Perseverance da NASA. Este local de desembarque foi selecionado devido à existência do delta próximo à sua parede ocidental. Segundo os cientistas, este delta é a prova de que um rio fluiu aqui há bilhões de anos e é o melhor lugar para procurar restos fossilizados.

De qualquer forma, no que diz respeito à geologia de Marte, seu estudo permitirá entender as forças que atuam no planeta e, assim, conhecer mais sobre o ambiente marciano.

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