Geek retrô: Amiga 500

Como diz o famoso ditado, às vezes as melhores sopas são feitas em panelas velhas. E se funciona para a gastronomia, deve funcionar também para as tecnologias digitais. Sim, e foi exatamente isso que me levou a abrir uma seção totalmente nova dedicada a todas aquelas coisas eletrônicas retrô que abalaram nossa infância e às vezes até nos renderam algumas noites sem dormir. Para começar bem, vamos mesmo andar numa bicicleta que todos os geeks na casa dos trinta devem inevitavelmente conhecer, nomeadamente a Amiga 500.

PC versus Mac, Canon versus Nikon, Xbox 360 versus PlayStation 3, não faltam motivos para se estripar, isso é um fato. Mas você deve saber que isso não é novo, muito pelo contrário. Não, nos anos 80 e 90, também podíamos encontrar motivos para furar os olhos uns dos outros com garfos. Alguns eram assim pró-Atari, outros pró-Amiga e escusado será dizer que o tom poderia subir muito rapidamente entre duas pessoas de diferentes “facções”. Ah sim, realmente muito muito muito rápido…

Historicamente, o Commodore lançou o Amiga 500 em 1987 e custou 9.000 francos. Na época, era uma verdadeira máquina de corrida, a moto tinha um processador Motorola com clock de 7,09 MHz, 512 KB de RAM e conseguia gerenciar uma resolução doentia e assim chegar a 640×400 pixels, tudo em 4.096 cores! Bicicleta sagrada… Com isso, poderíamos realizar jogos sagrados que dilaceravam sua mãe. Bastou colocá-los em um disquete de 3″1/2 e pronto. Porque de fato, amigos, na época já copiávamos os jogos dessas pobres editoras e poucos eram os que os adquiriam de forma legal. No final, não os machucou muito, já que alguns deles ainda estão lá.

Mas e a conexão então? Bem, novamente, o Amiga 500 estava bastante bem abastecido, oferecendo assim um soquete RGB Scart, um soquete de áudio estéreo, 2 portas para conectar joysticks ou mouse, um soquete de modem, uma porta paralela para conectar a bicicleta a uma impressora (as com o papel furado, claro), uma porta para uma unidade de disquete externa e é isso. O teclado, por sua vez, foi integrado diretamente no case, como o que o Apple IIC ofereceu, então certamente teremos a oportunidade de conversar um pouco mais tarde… hesite em dar uma olhada no Museu Geek LDLC!

E o sistema operacional em tudo isso? Sem surpresa, o Amiga 500 rodava no AmigaOS, um sistema lançado pela empresa em 1984. O engraçado da história é que essa plataforma ainda está em desenvolvimento. O AmigaOS 4.0 foi finalizado em 2006. De fato, se a Commodore falir em 1994, você deve saber que os direitos do sistema foram comprados pela Hyperion Entertainment. É até possível tirar proveito disso, desde que você tenha uma conta com eles. Se for esse o caso, basta fazer logon no portal deles para encontrar todas as informações necessárias. Para as ações e as patentes da firma, é um pouco mais complicado, pois se foram compradas em 1995 pela empresa ESCOM por pouco mais de 10 milhões de dólares, esta também faliu um ano depois. É triste, mas saiba ao mesmo tempo que a marca ainda existe e que agora produz grandes motos projetadas por e para jogadores: Commodore Gaming. Se você quiser saber mais, não hesite em navegar em seu site oficial. Além disso, deve-se notar que a caixa também oferece jogos C64 no Wii ou mesmo no iPhone. Ah, e para quem gostaria de conhecer esses Geeks, saiba que seus escritórios estão localizados… em Amsterdã! O que me dá mais uma desculpa para voltar a esta magnífica cidade.

Resumindo, para voltar ao AmigaOS, você deve saber que a versão da época oferecia vários componentes bem distintos. Não vou entrar em detalhes, mas apenas observe que a ROM de inicialização se chamava Kickstart e foi construída diretamente no Amiga 500 (ao contrário do Amiga 1000 que teve que carregá-lo de um disquete). Graças a esta ferramenta, foi possível iniciar facilmente o conteúdo armazenado em um disquete. Deve-se notar também que o Kickstar foi acompanhado por uma segunda ferramenta, Workbench, que se parecia um pouco com o gerenciador de arquivos AmigaOS, mas que também continha tudo o que não estava integrado ao Kickstar. Eventualmente, naquela época, as versões do sistema operacional dos computadores Amiga foram nomeadas pelo número da versão do Kickstar e Workbench e não foi até muitos anos depois que esses dois nomes foram descartados em favor do AmigaOS.

Muito claramente, o Amiga 500 permitiu à Commodore se impor no mercado contra seus vários concorrentes, Atari e Amstrad na liderança. Não muito surpreendente no sentido de que esta plataforma se beneficiou de um número significativo de jogos e que alguns deles até ficaram na história. É o caso de Gobliins, Monkey Island, Indiana Jones, Jim Power ou mesmo Lemmings e North & South. Sem esquecer, claro, o Populous, o Unreal ou o Ishar. Se o assunto te interessa e se você quer aprender um pouco mais sobre esses jogos antigos, saiba que você pode encontrar uma lista completa no AGDB ou no Back2Roots.

E isso não é tudo, pois você pode ir além e instalar um emulador no seu PC, bem como em determinados consoles de jogos. No Windows, o emulador que mais se destaca é o WinUAE. Uma ferramenta versátil e completa que está disponível até no Mac OS (U-EAU). Note também que um hacker genial, Lantus, até adaptou essa ferramenta para… o Xbox 360! Para saber mais sobre o assunto, você pode ler este artigo ou digitar “Amiga360” no Google. Os recursos são abundantes e você deve encontrar tutoriais abrangentes.

Tanto para esta breve apresentação do Amiga 500, uma máquina que certamente marcou uma época, claro, mas que também ficará para sempre nos nossos corações. Durante as próximas semanas, e se este tipo de artigo lhe interessar, falaremos sobre o Atari ST/STE, claro, mas também sobre o Apple IIC ou o Apple Lisa porque estas motos também valeram o desvio. A mesma coisa, nossos amigos gamers podem ficar tranquilos, os consoles e videogames de nossa infância também podem ser discutidos nesta nova seção. E se você mesmo quiser escrever sobre o assunto, não hesite em me contatar no seguinte endereço: frederic.pereira(@)gmail.com.

Créditos fotográficos

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