Galáxia de água-viva pode finalmente revelar seus segredos de criação de estrelas

Galáxia de água-viva pode finalmente revelar seus segredos de criação de estrelas

A NASA est√° se preparando para estudar uma fascinante gal√°xia “√°gua-viva” em detalhes sem precedentes, com o Telesc√≥pio Espacial James Webb com o objetivo de desvendar os segredos de como – e por que – se formou. O ESO 137-001 n√£o tem o nome mais memor√°vel, mas a gal√°xia distante tem sido objeto de longa investiga√ß√£o √† medida que os astr√īnomos exploram as origens das estrelas.

O ESO 137-001 est√° no cluster Abell 3627, uma gal√°xia espiral muito na mesma escala da nossa Via L√°ctea. Descoberto pela primeira vez em 2005, fica a aproximadamente 220 milh√Ķes de anos-luz de dist√Ęncia da Terra.

Olhe a olho nu, voc√™ estava perto o suficiente para perceb√™-lo, e o ESO 137-001 pode n√£o ser de imediato chamar a aten√ß√£o. Somente quando voc√™ adiciona imagens de raios-X √† luz vis√≠vel √© que a verdadeira impress√£o da gal√°xia √© clara. Isso e por que ganhou o apelido de gal√°xia ‚Äú√°gua-viva‚ÄĚ.

A NASA combinou imagens de luz vis√≠vel do Telesc√≥pio Espacial Hubble e luz de raios-X do Observat√≥rio de Raios-X Chandra. Isso mostra a cauda do g√°s quente que segue a gal√°xia, que percorre mais de 6 milh√Ķes de quil√īmetros por hora em dire√ß√£o ao centro do cluster Abell 3627. Acredita-se que essa cauda tenha cerca de 260.000 anos-luz de comprimento.

Esse processo em si n√£o √© incomum. Os cientistas o conhecem como “redu√ß√£o da press√£o do ar√≠ete”, onde os gases quentes entre os aglomerados de gal√°xias arrastam os gases e a poeira da pr√≥pria gal√°xia √† medida que ela passa. Como as estrelas exigem a forma√ß√£o de g√°s, se muito for removido, a vida da gal√°xia poder√° ser reduzida.

Pelo menos, essa é a teoria. O que ajuda a tornar o ESO 137-001 tão fascinante é que, apesar de sua cauda alongada de gases roubados, as estrelas ainda estão se formando. O processo de decapagem, ressalta a NASA, deveria ter aquecido o gás e, portanto, impedido de criar estrelas, mas não foi o que aconteceu.

“Achamos que √© dif√≠cil remover uma nuvem molecular que j√° est√° formando estrelas porque deve estar fortemente ligada √† gal√°xia pela gravidade”, Stacey Alberts, co-investigadora da Universidade do Arizona, que usar√° os dados Webb para examinar mais detalhadamente a gal√°xia espiral. “O que significa que estamos errados, ou esse g√°s foi retirado e aquecido, mas teve que esfriar novamente para que pudesse se condensar e formar estrelas”.

O telesc√≥pio Webb focar√° em diferentes pontos da cauda, ‚Äč‚Äčestendendo-se desde o ponto mais pr√≥ximo da gal√°xia at√© o fim. Nesse processo, Alberts e a equipe esperam acompanhar como os materiais que est√£o sendo removidos mudaram as condi√ß√Ķes ao longo do tempo. Especificamente, ser√° o instrumento infravermelho m√©dio, ou MIRI, encarregado do projeto.

Ele observa a luz infravermelha m√©dia e √© particularmente sens√≠vel √†s emiss√Ķes das mol√©culas de hidrog√™nio, enxofre e oxig√™nio. Ao mesmo tempo, ele detectar√° “mol√©culas fuligem mais complexas”, diz a NASA, conhecidas como hidrocarbonetos arom√°ticos polic√≠clicos ou PAHs. Eles s√£o normalmente encontrados em pontos de forma√ß√£o de estrelas. No total, a expectativa √© que o MIRI de Webb ofere√ßa 50x mais detalhes espaciais e 20x mais detalhes espectrais do que as observa√ß√Ķes infravermelhas anteriores.

Combinado com as medidas existentes, a esperança é que os novos dados ajudem a desbloquear um melhor entendimento da formação estelar na cauda do ESO 137-001. Também deve ajudar a descobrir exatamente o que pode eventualmente acontecer com a galáxia em movimento rápido, como a rapidez com que a pressão da ram é afetada.

Obviamente, para que isso aconte√ßa, o Telesc√≥pio Espacial James Webb precisa ser lan√ßado. Isso n√£o deve ocorrer at√© 2021, com o projeto em um esfor√ßo combinado entre a NASA, a Ag√™ncia Espacial Europ√©ia (ESA) e a Ag√™ncia Espacial Canadense. O telesc√≥pio ser√° lan√ßado como um pacote dobrado, com aproximadamente 6 p√©s de largura. Quando alcan√ßa o espa√ßo, no entanto, ele se desdobra ao chegar √† sua √≥rbita final, a cerca de um milh√£o de quil√īmetros da Terra. Eventualmente, ele ter√° um espelho prim√°rio com mais de 6 metros de di√Ęmetro.

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