Estudo relaciona apneia do sono com aumento do biomarcador da doença de Alzheimer

Um novo estudo destacou uma ligação entre uma condição de saúde chamada apneia do sono e o acúmulo de um biomarcador cerebral associado à doença de Alzheimer. No cerne da questão está a tau, uma proteína encontrada em abundância no cérebro de pessoas com doença de Alzheimer. A nova pesquisa encontrou um elo entre sofrer de apneia do sono e acúmulo de tau, mas ainda há dúvidas.

Leia: Falta de sono profundo ligada ao acúmulo de placas de Alzheimer

A apneia do sono é uma condição de saúde que faz com que uma pessoa pare de respirar periodicamente enquanto dorme. Existem diferentes formas da doença, sendo a mais comum a apneia obstrutiva do sono, com cerca de 3 milhões de casos diagnosticados todos os anos nos EUA.

A relação entre o sono e o desenvolvimento da doença de Alzheimer é crescente, mas os cientistas ainda não descobriram como tudo se encaixa. A pesquisa mais recente analisou 288 participantes que tinham pelo menos 65 anos de idade – e, principalmente, que não tiveram nenhum comprometimento cognitivo.

Perguntou-se ao parceiro de cada participante se o voluntário havia sido testemunhado experimentando episódios de apneia do sono durante o sono. Além disso, cada participante foi submetido a uma varredura cerebral de PET para avaliar quantos emaranhados de proteínas tau haviam se acumulado na região do córtex entorrinal do cérebro, responsável pela memória, percepção do tempo e navegação.

A equipe descobriu que os participantes com apneia do sono tinham níveis de tau 4,5% mais altos nessa região cerebral, em média, do que os participantes sem apneia do sono. Isso ocorreu após o controle de outros fatores que podem ter influenciado os níveis, como outros problemas de sono.

O estudo é descrito como preliminar no momento, e levanta uma nova questão: um aumento no acúmulo de tau predispõe alguém a desenvolver apneia do sono ou a apneia do sono é um fator que pode aumentar as taxas de acúmulo? Estudos adicionais com amostras maiores serão necessários para lançar uma nova luz sobre o assunto.

A pesquisa ocorre apenas alguns dias após um estudo publicado recentemente, que encontrou uma ligação entre a falta de sono profundo e o aumento dos níveis desses biomarcadores associados à doença de Alzheimer. Nesse estudo, os pesquisadores descobriram que o sono profundo era um fator importante no sistema linfático, que essencialmente ‘lava’ o cérebro dessas proteínas tóxicas. Sabe-se que a apneia do sono interfere no sono profundo, mas não está claro se isso pode ter algum papel no acúmulo de tau.

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