Está provado, há uma parte de nós que permanece ao longo de nossas vidas

Filósofos e psicólogos sempre se perguntaram sobre as mudanças de identidade que uma pessoa pode sofrer ao longo do tempo. Se cada acontecimento em nossa vida, por exemplo, uma doença, uma promoção, um momento de intensa emoção, pode alterar uma pequena parte de nossa identidade, podemos ainda dizer que hoje sentimos a mesma pessoa?

Isso pode parecer uma questão filosófica, mas a ciência pode muito bem oferecer parte da resposta por meio da psicologia e da análise de conexões no nível dos neurônios. Um pequeno estudo psicobiológico recente também tentou responder a essa pergunta com base em exames cerebrais para ver o que acontece com a evolução da identidade ao longo do tempo. Os resultados mostraram que há pelo menos uma parte de nós que permanece consistente mesmo que continuemos a crescer.

Créditos Pixabay

De acordo com Miguel Rubianes, neurocientista da Universidade Complutense de Madri, seu estudo teve como objetivo descobrir se continuamos a mesma pessoa ao longo de nossas vidas. Ele acrescentou que os resultados provam que parte de nós permanece estável, enquanto outra parte é mais suscetível a mudanças.

Os testes realizados

Durante sua pesquisa, Rubianes e seus colegas se concentraram principalmente na capacidade do cérebro de lidar com rostos familiares. Eles se basearam em descobertas de um estudo anterior que sugere que o auto-reconhecimento visual pode ser usado como um indicador da conexão que se faz com o sentido de si mesmo. De acordo com o que é chamado de efeito de auto-referência, uma pessoa seria mais capaz de lembrar e reconhecer uma informação se esta tivesse uma conexão pessoal com ela. Este é o caso quando você vê seu próprio rosto em uma foto.

Assim, determinar o tipo de atividade neurológica que ocorre durante o reconhecimento do próprio rosto pode indicar se o cérebro é apenas estimulado pelo fato de reconhecer o rosto como se fosse o de uma simples pessoa conhecida, ou se há uma real conexão com o “eu” que ele representa.

Os pesquisadores realizaram testes em um grupo de 20 estudantes universitários com eletrodos mapeando suas ondas cerebrais. Cada um teve que olhar para 27 imagens, incluindo algumas com seu próprio rosto, o de um amigo próximo e o de um estranho, todos em diferentes estágios da vida. Cada imagem era projetada por um segundo em uma tela e o sujeito tinha que apertar um botão para indicar se era ele mesmo, um amigo ou um estranho. A segunda etapa foi a identificação da fase da vida pelos sujeitos: infância, adolescência ou vida adulta.

Os resultados obtidos

O mapeamento de ondas cerebrais resultante e o tempo das respostas dos participantes sugerem fortemente que o senso de “eu” é atualizado ao longo do tempo, dando-lhe estabilidade. Quando vemos uma foto nossa na escola primária, por exemplo, realmente sentimos que é sobre nós mesmos, e não de uma criança cujo rosto conhecemos.

O estudo também mostrou que existem algumas semelhanças em como pensamos sobre nosso eu passado e como pensamos sobre nosso amigo próximo. Isso poderia mostrar a complexidade de como o tempo influencia as impressões que temos de nossa identidade.

Mesmo que este seja um estudo pequeno, pois foi realizado em um número limitado de sujeitos, já representa um avanço na área. Por exemplo, descrições neurológicas das partes específicas do cérebro responsáveis ​​por distinguir o eu de estranhos podem nos ajudar a entender melhor por que algumas pessoas não têm essa capacidade. Este é o caso de pessoas com esquizofrenia, uma condição que pode aumentar o risco de automutilação.

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