Bilhões de mosquitos geneticamente modificados serão liberados na Califórnia e na Flórida

Os cientistas há muito procuram soluções eficazes para combater doenças transmitidas por mosquitos. Vários produtos repelentes de mosquitos estão disponíveis no mercado. No entanto, a empresa de biotecnologia Oxitec foi mais longe em suas pesquisas com o uso de mosquitos geneticamente modificados.

Nesse contexto, a EPA ou Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos acaba de autorizar a Oxitec a liberar bilhões de mosquitos geneticamente modificados na Flórida e na Califórnia. O objetivo dessa operação é combater doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue e o vírus Zika.


mosquito Aedes aegypti
Créditos 123RF.com

Esta licença recente segue um projeto piloto no Florida Keys realizado com sucesso pela empresa em 2021.

O princípio da experimentação

Após passar com sucesso por toda uma série de avaliações de risco, a Oxitec está pronta para liberar, em caráter experimental, 2,4 bilhões de mosquitos geneticamente modificados, incluindo mais de 2 bilhões na Califórnia e pouco menos de 400 milhões na Flórida. A liberação desses mosquitos ocorrerá em dois períodos distintos entre 2022 e 2024. Os mosquitos em questão são Aedes aegypti machos, que não picam, mas cuja espécie é vetor de diversas doenças como dengue, chikungunya, zika e febre amarela. Esses mosquitos de laboratório foram modificados para induzir a produção da proteína tTAV-OX5034.

Uma vez que os machos liberados acasalam com mosquitos fêmeas selvagens, a proteína será transmitida e efetivamente matará a prole feminina antes que atinja a maturidade. A Oxitec espera reduzir a população local de mosquitos e estancar a transmissão de doenças.

Uma decisão polêmica

A perspectiva de liberar enxames de insetos geneticamente modificados na natureza, no entanto, não é do agrado de todos. Por um bom motivo, em 2019, o mesmo experimento foi realizado no Brasil e o projeto não foi conclusivo. Vários mosquitos teriam sobrevivido até a idade adulta, enriquecendo assim a população de mosquitos na região.

De sua parte, o Dr. Robert Gould, presidente da San Francisco Bay Physicians for Social Responsibility, enfatiza o fato de que esta ação é irreversível. Exige medidas de precaução e uma avaliação de risco adequada. Jaydee Hanson, diretor de política do Centro Internacional de Avaliação de Tecnologia e Centro de Segurança Alimentar, acrescentou que o experimento era desnecessário, até perigoso, já que não há casos locais dessas doenças na Califórnia.

Diante da preocupação pública, a Oxitec disse que sua tecnologia era segura e inofensiva para insetos benéficos. Gray Frandsen, CEO da Oxitec, chegou a afirmar queAedes aegypti representava uma ameaça crescente à saúde nos Estados Unidos e que a empresa está trabalhando para tornar essa tecnologia disponível e acessível.

FONTE: IFLScience

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