Arqueólogos descobriram elementos tóxicos nas roupas de antigas múmias incas

Uma equipe de cientistas chilenos liderada por Bernardo Arriaza, da Universidade de Tarapacá, descobriu múmias do Chile antigo que usavam roupas venenosas. A pesquisa foi realizada no sítio do Cerro Esmeralda, na cidade de Iquique, localizada no norte do Chile. Substâncias retiradas da roupa provaram ser mortais mesmo séculos após a dispersão.

Os arqueólogos tomaram enormes precauções, conhecendo os rumores antigos sobre a maldição das múmias. “Pode causar uma série de problemas de saúde, afetando os sistemas nervoso e muscular e o aparelho digestivo, entre outros, e até a morte em casos extremos de exposição”, explicaram.

Múmias de Luxor

A revista Archaeometry também publicou a descoberta de um mineral vermelho que, ao menor toque, poderia levar à morte.

Uma oferta fúnebre peculiar e estrangeira

Os pesquisadores acreditam que “é possível que os incas estivessem bem cientes dos perigos de cheirar cinábrio, e eles podem ter deliberadamente espalhado cinábrio sobre seus cemitérios cerimoniais para deter ladrões de túmulos”. Assim, ladrões de túmulos e cientistas correm os mesmos riscos.

Análises químicas e microscópicas revelaram a presença de cinábrio nas múmias. É um componente tóxico e particularmente mortal usado para colorir roupas ou fazer preparações químicas. O mineral de cor vermelha brilhante contém uma quantidade significativa de mercúrio.

“As novas análises químicas que obtivemos mostraram que o cinábrio estava presente nas roupas das múmias do Cerro Esmeralda. Este material tóxico é uma oferta funerária peculiar e estrangeira no norte do Chile”, anunciaram Arriaza e seus colegas.

Os pesquisadores ainda não sabem a verdadeira procedência do cinábrio revestido nas múmias. Só pode ser obtido a milhares de quilômetros do local do achado, ou seja, em uma mina em Huancavelica, ao norte de Lima, Peru.

Sacrifício de Capacocha

Em 1976, os arqueólogos descobriram os restos mortais de duas meninas cuidadosamente vestidas em um local de sepultamento, datadas entre 1399 e 1475. Com nove e dezoito anos, elas estavam em posição fetal. Eles foram decorados com prata e cercados por alguns recipientes de cerâmica. A quantidade e a qualidade desses bens levaram os pesquisadores a levantar a hipótese de um sacrifício ritual chamado capacocha. Neste caso, o uso do cinábrio é, sem dúvida, intencional.

“Os sacrifícios de Capacocha foram realizados em comemoração a eventos históricos da vida do Imperador Inca ou em resposta a desastres naturais”, explicou Arriaza. “A tumba foi encontrada em uma altitude mais baixa do que muitos outros sacrifícios de capacocha relatados na literatura, que normalmente são encontrados em altitudes mais altas”, acrescentou.

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