Água do mar com mais de vinte mil anos coletada no Oceano Índico

Durante suas expedições ao fundo do mar do arquipélago das Maldivas, os cientistas fizeram uma descoberta surpreendente. Os testemunhos de sedimentos permitiram obter amostras de água do mar datadas de 20.000 anos atrás.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Chicago, com a professora Clara Blättler como autora principal.

A última era glacial durou 100.000 anos. Há 20.000 anos, esse período estava quase no fim, mas enormes camadas de gelo ainda cobriam grande parte da Terra. América do Norte, norte da Europa e Ásia foram enterrados sob o gelo.

Esta descoberta permitiu aos cientistas aprender ainda mais sobre esta Idade do Gelo.

Os detalhes do estudo serão publicados em breve na revista Geochimica e Cosmochimica Acta em julho de 2019.

Os passos seguidos

Os cientistas não coletaram a amostra diretamente das águas oceânicas. De fato, é de uma rocha retirada dos depósitos subaquáticos de calcário das Maldivas que eles conseguiram extrair essa água que data de 20.000 anos.

Assim que chegaram em seu navio, cortaram a rocha em tubos e os introduziram em uma prensa hidráulica.

Graças a esse processo, os pesquisadores conseguiram extrair a água contida nos poros da pedra. Para descobrir a composição das amostras obtidas, em particular os isótopos, bem como os elementos específicos, os pesquisadores realizaram vários testes a bordo do navio e, posteriormente, em laboratórios em terra.

Novos insights sobre o passado

A professora Clara Blättler disse que os resultados do estudo resultaram na obtenção de uma amostra do Oceano Índico de 20.000 anos atrás.

A composição das amostras de água de fato parecia corresponder à do oceano em questão durante a última era glacial. É muito salgado e contém muito cloro.

Segundo os pesquisadores, essa descoberta representa uma abertura para entender a reação do oceano às flutuações geofísicas que ocorreram durante a última era glacial. Por outro lado, com esse novo conhecimento, também será possível obter modelos climáticos melhores do que antes. Também é útil para entender melhor as várias mudanças que afetaram nosso mundo ao longo de milhões de anos até hoje.

As descobertas sobre o passado do nosso planeta continuam a se multiplicar.

A questão é se os cientistas serão capazes de fazer bom uso deles para resolver os problemas climáticos que enfrentamos atualmente.

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